quarta-feira, 3 de junho de 2015

Joly Braga Santos: a portuguese portrait


No próximo sábado, dia 6, vai ocorrer em Londres um acontecimento da maior importância para a projecção da cultura portuguesa no mundo: a estreia internacional do Concerto para Piano e Orquestra, op. 52 de Joly Braga Santos.


Já vos contei como estive envolvida, em Janeiro de 2009, no processo de doação do espólio de Joly Braga Santos à Biblioteca Nacional de Portugal e o impacto que teve em mim esse facto, aparentemente rotineiro.




O Concerto para Piano e Orquestra de Joly Braga Santos foi composto em 1973 para ser tocado por Sérgio Varela Cid, pianista português de prestígio mundial, especialmente reconhecido pelo seu virtuosismo. Contudo, o pianista, residente em São Paulo e desaparecido (literalmente) em 1981, nunca chegou a executá-lo.


A estreia em Lisboa deu-se em 1978, no São Luíz, pela grande pianista   Helena Sá e Costa e só voltaria a ser tocado em 1999 no Centro Cultural de Belém. Parece que terá sido ainda tocado em Paris mas não tenho informação sobre esta apresentação. Vai ser agora apresentado em Londres, pela jovem e talentosa pianista portuguesa Ana Beatriz Ferreira que, com apenas 23 anos, se abalança, com este concerto, ao maior desafio da sua ainda curta carreira como profissional.



Ana Beatriz Ferreira nasceu em 1991 e iniciou os seus estudos musicais aos sete anos, na Academia de Música de Santa Cecília. Prosseguiu os estudos no Conservatório Nacional e concluíu a licenciatura em piano no Royal College of Music de Londres, cidade onde reside e onde se encontra agora a frequentar o Mestrado. Vencedora de  vários prémios e distinções, incluindo o 1º Prémio no Concurso Nacional  Maria Christina Pimentel, 1º Prémio no Concurso Lopes Graça e três  Mérito e Prémios de Excelência pela Fundação Eugénio de Almeida, estreou-se  como solista com a Orquestra Filarmonia das Beiras, em 2012, tocando  o Concerto para piano n.º 2 de Shostakovich, e participou em festivais no  Centro Cultural de Belém (Main Hall e Sala Amália Rodrigues), Teatro de  São Luiz (Jardim de Inverno), Pavilhão de Portugal e Palácio Foz (Sala  dos Espelhos) e em recitais na Fundação Eugénio de Almeida e Centro  Cultural de São Lourenço.




A partitura que agora vai ser tocada nunca tinha sido publicada o que significa que não estava facilmente acessível a qualquer pianista ou maestro que a desejasse executar. Falei nela à Ana Beatriz Ferreira, há cerca de um ano e o seu interesse por conhecer a obra foi imediato. O manuscrito autógrafo (assinado e datado de Lisboa, 19 de Setembro de 1973) encontra-se depositado - juntamente com o restante espólio do compositor - na Biblioteca Nacional de Portugal, onde a pianista o consultou pela primeira vez. O primeiro contacto com a partitura, realizado no piano digital da Sala de Leitura de Música, permitiu-lhe perceber a extraordinária qualidade da música e a urgência de a dar a conhecer. O próprio Royal College of Music cuidou de adquirir a cópia do manuscrito, a Ava Musical Editions procedeu à publicação da partitura (com edição e revisão técnica da própria Ana Beatriz Ferreira) e agora, graças a esta conjugação de esforços, já é possível adquirir um exemplar para que este magnífico Concerto possa ser apresentado em qualquer parte do mundo.






O espectáculo terá lugar na igreja de St. James's, Picadilly,  numa noite dedicada a Joly Braga Santos: na primeira parte serão tocadas  em orquestra obras de Schubert e Tchaikovsky, que se sabe terem sido  apreciadas pelo compositor português, e a segunda parte incluirá a estreia absoluta de uma composição de Edmund Hartzell completada este ano e inspirada por  Braga Santos. A segunda parte terminará com o Concerto para Piano Op.  52.




Eu lá estarei, para ouvir e aplaudir.


É sempre uma emoção indescritível quando a música silenciada nas prateleiras da BNP vem cá para fora gritar que existe e que está viva.











terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Exposição sobre Marcos Portugal, duplo lançamento e recital

Visita guiada à exposição | 17h00 | Entrada livre
Lançamento | 31 Janeiro | 18h00 | Auditório BNP



Duplo lançamento no último dia da exposição dedicada a Marcos Portugal na BNP, contará com breves apontamentos musicais de obras do autor por Ana Paula Russo, Mário Trilha e David Cranmer.


A anteceder as apresentações das duas obras - Marcos Portugal: uma reavaliação, coord. de David Cranmer e Marcos Portugal (1762-1830): 250 anos do nascimento, comiss. António Jorge Marques - pelos respectivos autores e Mário Vieira de Carvalho, será conduzida uma visita guiada à exposição por António Jorge Marques


Marcos Portugal (1762-1830): 250 anos do nascimento, António Jorge Marques (comiss.)

(...) As pesquisas realizadas nos últimos anos permitiram descobrir inúmeras fontes primárias, tanto musicais como biográficas, que vieram situar o compositor e a sua obra no contexto sociopolítico em que viveu, e atribuir-lhe um justo protagonismo. O presente catálogo incorpora uma parte significativa dessas fontes, e inclui a republicação fac-similada de três incontornáveis fontes bibliográficas de difícil acesso, além de textos que reflectem o actual estado do conhecimento sobre Marcos Portugal e uma detalhada cronologia.


Marcos Portugal, uma reavaliação, David Cranmer (coord.)

O presente volume reúne 26 capítulos sobre a vida e obra de Marcos António Portugal (1762-1830), o compositor luso-brasileiro que, em vida, obteve uma ainda não igualada ou ultrapassada projecção internacional. Num acto de estreita colaboração sobretudo entre especialistas portugueses e brasileiros, pretende expôr, desmitificar e reavaliar esta destacada figura, tantas vezes alvo de polémica. No cumprimento desta tarefa, para além de propôr um extenso texto biográfico devidamente fundamentado, debruça-se sobre um leque de temas, entre outros a recepção e disseminação internacional da sua produção teatral, aspectos de várias óperas individuais, a música ocasional profana, os contextos e popularidade de certas obras religiosas, as modinhas e a actividade didáctica do compositor, como Mestre de Suas Altezas Reais, os filhos de D. João VI e D. Carlota Joaquina.»


(Fonte: sítio da BNP)

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Área de Múisca da Biblioteca Nacional de Portugal: 21 anos

Em dia de 21º aniversário da Área de Música da Biblioteca Nacional de Portugal e em ano de Marcos Portugal, aqui vos deixo «É coisa mui gostosa», no auditório da BNP, com Ariana Russo, soprano, e Pedro Vieira de Almeida, no cravo.


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

António Jorge Marques

Dou as boas vindas ao António Jorge Marques como novo co-editor do Paper Music.
Doutor em Ciências Musicais pela Universidade Nova de Lisboa com uma tese sobre Marcos Portugal (1762-1830), António Jorge Marques tem uma formação musical diversificada (flauta transversal, piano, canto e composição) adquirida em Portugal e no estrangeiro.
Trata-se de uma valiosíssima "aquisição" para o Paper Music que saúdo com a maior alegria.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Edição fac-similada do manuscrito Variações para Bandolim, de David Perez (1711-1778)


«No aniversário dos 300 anos do nascimento do compositor napolitano setecentista que residiu longos anos em Portugal, a Biblioteca Nacional de Portugal acolhe o lançamento desta edição fac-similada que apresenta a mais antiga fonte portuguesa conhecida (1773) de música para bandolim - as 128 Variações, de David Perez. Trata-se de uma co-edição do CESEM - Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical da Universidade Nova de Lisboa e da editora Colibri, que inclui um ensaio e notas críticas da autoria de David Cranmer, assim como uma gravação em CD áudio com interpretações de José Grossinho.

A forma de variações não era, na época, um género muito comum para o bandolim e, até à data deste manuscrito, apenas se conheciam as edições de dois conjuntos de trinta variações da autoria do compositor napolitano Leoné, em 1761 e 1767, o que coloca este conjunto de 128 Variações de Perez, numa escala inteiramente diferente. Algumas destas Variações tiveram a sua estreia moderna, pela Academia dos Renascidos, no passado dia 28 de Junho, no auditório da BNP.

Compositor sobretudo de opere serie italianas e música sacra, Perez foi contratado por D. José I, em 1752, como professor de música de Suas Altezas Reais as Infantas de Portugal, às quais, ao que tudo indica, se destinavam estas Variações. A isso faz referência directa o manuscrito, em cuja página de rosto se descreve o compositor como Maestro delle LL. RR. AA. [Loro Reali Altezze] La Serenissima Signora Principessa Del Brasile ed Infante di Portugallo ou seja, «Mestre das Suas Altezas Reais A Sereníssima Senhora Princesa Do Brasil e Infantas de Portugal». Em 1773, a data do manuscrito e provavelmente também a da composição, era Princesa do Brasil e herdeira do trono a futura D. Maria I. O termo Infante (Infantas) no plural, referir-se-á a todas as princesas e não apenas às duas mais velhas, para as quais este título era mais estritamente reservado.

A partitura, composta por 32 fólios manuscritos frente e verso a uma só mão e com as linhas dos pentagramas desenhadas a rastro, foi adquirida pelo Prof. David Cranmer em 1997 num alfarrabista de Lisboa que, por sua vez, a terá comprado a um vendedor alemão. Apresenta, na página de rosto, marca de posse de Joaquim de Vasconcelos, musicógrafo e historiador, autor, entre outras obras, de Os Musicos Portuguezes (Porto: Imprensa Portugueza, 1870), o primeiro dicionário biográfico de músicos portugueses. Tanto a encadernação de época, em pele vermelha com motivos florais gravados a ouro nas pastas e lombada, comparável a muitos outros volumes da Biblioteca Real, hoje conservada sobretudo na Biblioteca da Ajuda, como a elegância da página de rosto e o cuidado da escrita musical, sugerem proveniência de alguém importante.

Na ocasião deste lançamento será formalizada a doação do manuscrito à BNP pelo seu actual proprietário, Professor Doutor David Cranmer que, assim, contribui generosamente para enriquecer o património musical da Instituição.»


(Fonte: sítio da BNP)

ISMN Newsletter n.º 21 (2011)

Está online o n.º 21 da ISMN Newsletter (Novembro de 2011).

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Lançamento do n.º 4 da revista Glosas

Revista Glosas
LANÇAMENTO RECITAL 5 Novembro 16h00 Auditório BNP Entrada Livre

O lançamento do número 4 da Revista Glosas, editada pelo mpmp - movimento patrimonial pela música portuguesa - contará com a presença de António Victorino d'Almeida, compositor homenageado nesta edição, e Duarte Pereira Martins, que fará breve introdução aos conteúdos da Revista e apresentará as actividades do movimento para este ano.

O recital pelo Quarteto Lopes-Graça, residente do Conservatório Nacional, encontra-se inserido na Temporada de Concertos do mpmp, que conta com a direcção artística de Duarte Pereira Martins.

Programa:

LOPES-GRAÇA, Fernando (1906 - 1994)

'Catorze Anotações' (1966) [12’]


VICTORINO D’ ALMEIDA, António (1940- )

'Quarteto, op. 148' (2007) [38’]

Obra dedicada ao Quarteto Lopes-Graça

Andantino non tropo
Scherzo – Allegro non tropo
Allegro
Allegro assai


Quarteto Lopes-Graça

Luís Pacheco Cunha, violino / Anne Victorino d'ALmeida, violino / Isabel Pimentel, violeta / Catherine Strynckx, violoncelo.

mpmp, movimento patrimonial pela música portuguesa

Associação sem fins lucrativos em prol da divulgação do património musical português de todas as épocas, com especial destaque para a música erudita de tradição ocidental. Os seus primeiros projectos remontam ao ano de 2009 (ATRIUM, base de dados de compositores portugueses), sendo em 2010 que o movimento vê nascer um dos seus mais bem sucedidos objectivos: a revista Glosas, a única publicação portuguesa dedicada à divulgação da música de compositores portugueses de ontem e de hoje. O mpmp mantém também uma activa agenda de concertos e desenvolve projectos de edição de partituras.


http://www.bnportugal.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=666%3Alancamento-revista-glosas-5-nov-16h00&catid=157%3A2011&Itemid=701&lang=pt

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Área de Música da Biblioteca Nacional de Portugal fez vinte anos

A Área de Música da Biblioteca Nacional de Portugal fez vinte anos no dia 1 de Outubro, não por acaso Dia Mundial da Música.
Para assinalar a efeméride o Grupo Vocal Arsis apresenta-se hoje, pelas 18h30, no auditório da Biblioteca Nacional, com um concerto de música portuguesa dos séculos XVII, XX e XXI. Serão executadas obras de Estêvão Lopes Morago, D. João IV, Diogo Dias Melgaz, Paulo Brandão e Filipe Pires.





terça-feira, 3 de maio de 2011

A realização do baixo contínuo nas obras de João Lourenço Rebelo

CONFERÊNCIA 5 Maio 18h00 Auditório BNP Entrada livre



João Lourenço Rebelo é sem dúvida o mais genial e excêntrico compositor de música religiosa do Portugal seiscentista. Sendo representante da segunda geração de compositores ibéricos que escreveram música policoral, depois de Guerrero, Garro, Lobo e outros, a singularidade da escrita de Rebelo coloca problemas também eles particulares quanto à realização do baixo contínuo.
Tendo em conta que as cifras que encontramos na fonte não traduzem por si o complexo fluir da harmonia, caracterizada por texturas onde abundam as dissonâncias e as resoluções assíncronas, qual deverá ser o papel do executante? Ignorar os recurrentes 'clusters' ou preparar uma parte separada a partir do estudo cuidadoso da polifonia?
Para além do tratado de Doizi Velasco, nenhuma das fontes teóricas portuguesas se refere à prática do baixo continuo, por essa razão é necessário ter uma abordagem diferente na preparação de uma execução prática.
João Paulo Janeiro

quinta-feira, 21 de abril de 2011

BNP adquire conjunto de passionários quinhentistas

«Foi adquirido pela Biblioteca Nacional de Portugal, no leilão do Palácio do Correio Velho que ocorreu entre 11 e 13 de Abril de 2011, um conjunto de 3 passionários quinhentistas, que pertenceram à biblioteca do coleccionador António Capucho.

«Destinados ao ofício da Paixão, nomeadamente para o Domingo de Ramos (Dominica in Ramus Palmarum Passio Secundum Mattheum), Terça-feira (Feria Tertia Passio Secundum Marcum) e Sexta-feira (Feria Sexta in Parasceve Secundum Joannem), os 3 livros estiveram em uso num Convento de Nossa Senhora em Braga, provavelmente no Convento de Nossa Senhora do Pópulo, como se pode verificar na nota de posse no livro para o ofício de terça-feira: “Pertinet ad Conventum Donae Nostrae de [Populo] Bracara Augustae”, em que aparece rasurada a palavra “Populo”. O conjunto deveria ter primitivamente incluído um quarto volume correspondente à Quarta-Feira Santa.

«Todos executados pela mesma mão, em pergaminho com corte dourado e com uma capitular iluminada em cada passionário, têm as dimensões aproximadas de 440x330 mm, com notação musical quadrada sobre pentagrama a vermelho e 6 pentagramas por fólio. As encadernações são inteiras em couro sobre pastas de madeira com filete marginal e título no centro a ouro.

«A beleza das capitulares iluminadas sugere hipoteticamente a autoria de António de Holanda (1480?-1556), importante miniaturista activo em Portugal na primeira metade do século XVI, e que foi um dos autores das iluminuras do Livro de Horas de D. Manuel, da Genealogia dos Reis de Portugal e da Genealogia dos Condes da Feira.

«O musicólogo Manuel Pedro Ferreira refere que, para além do elevado valor artístico, este conjunto é “proveniente de uma igreja da qual não possuíamos nenhum códice identificado, havendo também potencial interesse musical, uma vez que os tons da Paixão têm uma tradição portuguesa particular, e não abundam os seus testemunhos, mesmo tardios”, enriquecendo assim a valiosa colecção de livros de coro da Área de Música da BNP.»

(Fonte: BNP)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Paixão Segundo São Mateus, de Francisco Martins


O canto da Paixão resulta da tradição litúrgica que introduz no cantochão as Turbas (palavras do Povo) a quatro vozes. Na presente obra, diz-nos José Augusto Alegria, a novidade «consistiu em embrechar no esquema tradicional proposto pelos Passionários o canto dos Ditos de Cristo […] cantados pelos três personagens a quem se distribuía o papel de Cronista, de Cristo e de Sinagoga». Dos 23 Ditos do Evangelho de São Mateus, Francisco Martins selecciona 10 que arranja a três vozes. Neste concerto o Grupo Vocal Arsis utiliza a edição das Turbas e dos Ditos transcritos pelo Cónego José Augusto Alegria a partir dos manuscritos existentes na Biblioteca de Elvas e publicados pela Fundação Calouste Gulbenkian.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Asociación Española de Documentación Musical

A próxima assembleia ordinária da AEDOM (Asociación Española de Documentación Musical) realizar-se-á nas instalações do Teatro de la Maestranza (Sevilla), no dia 19 de Fevereiro de 2011, sábado de manhã. Na véspera, dia 18, as comissões e grupos reunirão igualmente nas mesmas instalações. Nessa tarde haverá uma mesa redonda com a participação de bibliotecários de música portugueses em que se debaterá o estado actual biblioteconomia musical em Portugal. Estaremos presentes eu e o colega João Carlos Callixto que tem dedicado a sua actividade à pesquisa divulgação da discografia portuguesa de música popular.

It's Showtime! Sheet Music from Stage and Screen

A Biblioteca do Congresso possui uma vasta colecção de música dramática de todos os tipos, incluindo óperas, musicais, teatro de revista e cinema. Há mais de 300 anos que se publicam partituras com trechos dessas obras. A LC tem agora uma base de dados de mais de 18.000 produções datados da década de 1690 até o presente, contendo mais de 67 mil canções.
A ligação que se segue é também a nova "aquisição" do nosso blogroll.

It's Showtime! Sheet Music from Stage and Screen

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

ISMN Newsletter

Já está disponível o n.º 20 da Newsletter do ISMN, relativo ao ISMN Panel Meeting que, este ano, se realizou na Biblioteca Nacional de Portugal, conforme tinha sido anunciado aqui no Paper Music.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Música para inauguração de Estátuas Equestres no Império Luso-Brasileiro

CONFERÊNCIA 4 Novembro 18h00 Auditório BNP Entrada livre



«O grande terramoto de 1755 não podia deixar de ter grande influência na produção musical de Lisboa. Nos anos que se seguiram à calamidade, não haveria certamente recursos e justificativas para grandes festejos públicos. O estado, na figura do Marquez de Pombal, se esforçava para reconstruir a cidade em novos moldes. Neste contexto os festejos para a inauguração da estátua equestre de D. José I em 1775 na Praça do Comércio ganham características sociais e políticas únicas. Duas importantes peças foram escritas para a ocasião: O monumento immortal, e L’Eroe coronato. Estes festejos encontraram eco na inauguração de outras estátuas seja em Portugal, seja no Brasil. O que se pretende nesta comunicação é mostrar como estatuária, literatura e música são usadas em conjunto para comentar a realidade sócio-política da época, legitimar o poder real e estabelecer heróis nacionais.»
Alberto Pacheco

(Fonte: Sítio da Biblioteca Nacional de Portugal

terça-feira, 19 de outubro de 2010

As Missas do compositor António Leal Moreira (1758 - 1819)

CONFERÊNCIA, 21 Outubro, 18h00. Auditório da BNP. Entrada livre

«António Leal Moreira foi um dos mais produtivos e talentosos compositores portugueses de fins do século dezoito e primeiras décadas do século dezanove.

«A produção de Leal Moreira incluiu a composição de serenatas de corte durante o reino de D. Maria I, óperas cómicas em língua portuguesa para o recém inaugurado Teatro de São Carlos em parceria com o poeta brasileiro Caldas Barbosa, modinhas e um grande número de sofisticada música sacra para ocasiões de maior importância na corte. Entre suas obrigações profissionais, que incluíram ensinar no Seminário da Patriarcal, ele também foi responsável pela direcção dos Teatros da Rua dos Condes e posteriormente do de São Carlos.

«Todavia, afora alguns estudos curtos realizados sobre sua vida e obra, ainda faltam uma catalogação sistematizada e uma avaliação crítica de sua produção que possam ajudar-nos a compreender os desenvolvimentos estético-musicais e estruturais de suas obras.

«Nesta conferência analisaremos suas Missas, obras para cerimónias de vulto e baseadas sempre no mesmo texto do ordinário romano, o que possibilita uma maior concentração nos aspectos estilístico-musicais dessas obras. Ao separarmos as obras de Leal Moreira em quatro fases, podemos demonstrar por amostragem as transformações na linguagem do compositor. A metodologia deste estudo é baseada numa catalogação inicial das várias missas autógrafas e cópias de época depositadas na Biblioteca Nacional de Portugal em outros importantes arquivos musicais em Portugal e no Brasil.»

Ricardo Bernardes

(Fonte: BNP)

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Autógrafo de uma obra desconhecida de Niccolò Jommelli (1714-1774) descoberto na BNP

CONFERÊNCIA: 15 Outubro, 18h00. Auditório da BNP. Entrada livre

Laudate pueri Dominum a 16 vozes

«À data da sua morte o compositor Niccolò Jommelli era considerado um dos maiores compositores vivos, vindo posteriormente a ser consistentemente incluído na plêiade dos mais memoráveis autores do século XVIII. Na ocasião Schubart escreveu: “O maior Pã está morto… Se a riqueza de pensamento, a fantasia cintilante, a melodia inesgotável, a harmonia celestial, o profundo domínio de todos os instrumentos e particularmente da poderosa mágica da voz humana […], se tudo isto combinado com a mais acutilante compreensão da poesia musical constitui o génio, então a Europa perdeu o seu maior compositor.”
«Dois anos depois de ter subido ao trono, D. José tentou contratar Jommelli que, por esta altura, já era o mais afamado e o mais inovador compositor de ópera italiana em actividade. No entanto, a proposta do Duque de Württemberg, que incluía um novo teatro, acabou por aliciar o compositor, que se mudou para a Corte de Estugarda em 1754. Durante 15 anos produziu música religiosa e contribuiu para reescrever a história da ópera. Em 1769 e a troco de uma vantajosa reforma, D. José conseguiu finalmente obter os serviços de Jommelli, que entretanto passou a viver em Aversa, Itália. O contrato incluía o envio de obras religiosas, e sobretudo de óperas. Até à morte do Rei em 1777, e com adaptações de João Cordeiro da Silva, os teatros reais portugueses chegaram a levar anualmente à cena quatro óperas suas.
No género sacro, a influência de Jommelli em Portugal ainda está por avaliar, mas foi certamente duradoura. Algumas das suas obras religiosas mantiveram-se no repertório das igrejas até finais do século XIX. O Requiem (Hochstein, A.I.3), obra composta em 1756 para as exéquias da Duquesa de Württemberg, foi a mais importante e paradigmática. Ernesto Vieira, na entrada do seu Diccionario Biographico de Musicos Portuguezes (1900), escreve: “Executa-se ainda muito frequentemente nas egrejas de Lisboa a missa de requiem e libera-me de Jommelli, composições primorosas no estylo sacro.”
«O estatuto de Niccolò Jommelli e os laços históricos que o ligam a Portugal tornam a descoberta deste autógrafo (ainda que incompleto) um acontecimento relevante no contexto dos estudos de música sacra de estilo romano de meados do século XVIII. O caso em epígrafe é particularmente interessante porque se trata de uma obra policoral para 16 vozes e baixo contínuo (com utilização de 3 órgãos) completamente desconhecida e sem paralelo na produção do compositor. O trabalho seminal de Wolfgang Hochstein, Die Kirchenmusik von Niccolò Jommelli (1984), que inclui um catálogo temático, não menciona qualquer obra para 16 vozes.
«A razão para a ausência de referências na bibliografia da especialidade prende-se com o facto de o primeiro caderno (4 fólios) se encontrar desaparecido. Em consequência, informações cruciais como o autor, a data e o título da obra, grafadas na página de rosto, perderam-se.
«A identificação do autor foi realizada através de estudos caligráficos comparativos. Uma proposta para a génese da obra assim como a sua contextualização na vida e obra de Jommelli serão alguns dos temas abordados.»

António Jorge Marques

(Fonte: sítio da Biblioteca Nacional de Portugal)

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

ISMN Panel Meeting

Vai realizar-se, nos dias 14 e 15 próximos, o ISMN Panel Meeting, encontro anual das agências de ISMN (International Standard Music Number). O ISMN é o número internacional normalizado que identifica cada editor musical e cada publicação desse editor, equivalendo ao ISBN para a música impressa. A Agência Nacional do IS...MN funciona na BNP, através da Área de Música, e este ano recebe este encontro que se realiza todos os anos num país diferente. O encontro é fechado mas as suas decisões têm sempre repercussões positivas na actividade editorial dos países aderentes cujo número tem vindo a crescer de ano para ano.