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quarta-feira, 3 de junho de 2015

Joly Braga Santos: a portuguese portrait


No próximo sábado, dia 6, vai ocorrer em Londres um acontecimento da maior importância para a projecção da cultura portuguesa no mundo: a estreia internacional do Concerto para Piano e Orquestra, op. 52 de Joly Braga Santos.


Já vos contei como estive envolvida, em Janeiro de 2009, no processo de doação do espólio de Joly Braga Santos à Biblioteca Nacional de Portugal e o impacto que teve em mim esse facto, aparentemente rotineiro.




O Concerto para Piano e Orquestra de Joly Braga Santos foi composto em 1973 para ser tocado por Sérgio Varela Cid, pianista português de prestígio mundial, especialmente reconhecido pelo seu virtuosismo. Contudo, o pianista, residente em São Paulo e desaparecido (literalmente) em 1981, nunca chegou a executá-lo.


A estreia em Lisboa deu-se em 1978, no São Luíz, pela grande pianista   Helena Sá e Costa e só voltaria a ser tocado em 1999 no Centro Cultural de Belém. Parece que terá sido ainda tocado em Paris mas não tenho informação sobre esta apresentação. Vai ser agora apresentado em Londres, pela jovem e talentosa pianista portuguesa Ana Beatriz Ferreira que, com apenas 23 anos, se abalança, com este concerto, ao maior desafio da sua ainda curta carreira como profissional.



Ana Beatriz Ferreira nasceu em 1991 e iniciou os seus estudos musicais aos sete anos, na Academia de Música de Santa Cecília. Prosseguiu os estudos no Conservatório Nacional e concluíu a licenciatura em piano no Royal College of Music de Londres, cidade onde reside e onde se encontra agora a frequentar o Mestrado. Vencedora de  vários prémios e distinções, incluindo o 1º Prémio no Concurso Nacional  Maria Christina Pimentel, 1º Prémio no Concurso Lopes Graça e três  Mérito e Prémios de Excelência pela Fundação Eugénio de Almeida, estreou-se  como solista com a Orquestra Filarmonia das Beiras, em 2012, tocando  o Concerto para piano n.º 2 de Shostakovich, e participou em festivais no  Centro Cultural de Belém (Main Hall e Sala Amália Rodrigues), Teatro de  São Luiz (Jardim de Inverno), Pavilhão de Portugal e Palácio Foz (Sala  dos Espelhos) e em recitais na Fundação Eugénio de Almeida e Centro  Cultural de São Lourenço.




A partitura que agora vai ser tocada nunca tinha sido publicada o que significa que não estava facilmente acessível a qualquer pianista ou maestro que a desejasse executar. Falei nela à Ana Beatriz Ferreira, há cerca de um ano e o seu interesse por conhecer a obra foi imediato. O manuscrito autógrafo (assinado e datado de Lisboa, 19 de Setembro de 1973) encontra-se depositado - juntamente com o restante espólio do compositor - na Biblioteca Nacional de Portugal, onde a pianista o consultou pela primeira vez. O primeiro contacto com a partitura, realizado no piano digital da Sala de Leitura de Música, permitiu-lhe perceber a extraordinária qualidade da música e a urgência de a dar a conhecer. O próprio Royal College of Music cuidou de adquirir a cópia do manuscrito, a Ava Musical Editions procedeu à publicação da partitura (com edição e revisão técnica da própria Ana Beatriz Ferreira) e agora, graças a esta conjugação de esforços, já é possível adquirir um exemplar para que este magnífico Concerto possa ser apresentado em qualquer parte do mundo.






O espectáculo terá lugar na igreja de St. James's, Picadilly,  numa noite dedicada a Joly Braga Santos: na primeira parte serão tocadas  em orquestra obras de Schubert e Tchaikovsky, que se sabe terem sido  apreciadas pelo compositor português, e a segunda parte incluirá a estreia absoluta de uma composição de Edmund Hartzell completada este ano e inspirada por  Braga Santos. A segunda parte terminará com o Concerto para Piano Op.  52.




Eu lá estarei, para ouvir e aplaudir.


É sempre uma emoção indescritível quando a música silenciada nas prateleiras da BNP vem cá para fora gritar que existe e que está viva.











sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Lançamento do n.º 4 da revista Glosas

Revista Glosas
LANÇAMENTO RECITAL 5 Novembro 16h00 Auditório BNP Entrada Livre

O lançamento do número 4 da Revista Glosas, editada pelo mpmp - movimento patrimonial pela música portuguesa - contará com a presença de António Victorino d'Almeida, compositor homenageado nesta edição, e Duarte Pereira Martins, que fará breve introdução aos conteúdos da Revista e apresentará as actividades do movimento para este ano.

O recital pelo Quarteto Lopes-Graça, residente do Conservatório Nacional, encontra-se inserido na Temporada de Concertos do mpmp, que conta com a direcção artística de Duarte Pereira Martins.

Programa:

LOPES-GRAÇA, Fernando (1906 - 1994)

'Catorze Anotações' (1966) [12’]


VICTORINO D’ ALMEIDA, António (1940- )

'Quarteto, op. 148' (2007) [38’]

Obra dedicada ao Quarteto Lopes-Graça

Andantino non tropo
Scherzo – Allegro non tropo
Allegro
Allegro assai


Quarteto Lopes-Graça

Luís Pacheco Cunha, violino / Anne Victorino d'ALmeida, violino / Isabel Pimentel, violeta / Catherine Strynckx, violoncelo.

mpmp, movimento patrimonial pela música portuguesa

Associação sem fins lucrativos em prol da divulgação do património musical português de todas as épocas, com especial destaque para a música erudita de tradição ocidental. Os seus primeiros projectos remontam ao ano de 2009 (ATRIUM, base de dados de compositores portugueses), sendo em 2010 que o movimento vê nascer um dos seus mais bem sucedidos objectivos: a revista Glosas, a única publicação portuguesa dedicada à divulgação da música de compositores portugueses de ontem e de hoje. O mpmp mantém também uma activa agenda de concertos e desenvolve projectos de edição de partituras.


http://www.bnportugal.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=666%3Alancamento-revista-glosas-5-nov-16h00&catid=157%3A2011&Itemid=701&lang=pt

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Área de Música da Biblioteca Nacional de Portugal fez vinte anos

A Área de Música da Biblioteca Nacional de Portugal fez vinte anos no dia 1 de Outubro, não por acaso Dia Mundial da Música.
Para assinalar a efeméride o Grupo Vocal Arsis apresenta-se hoje, pelas 18h30, no auditório da Biblioteca Nacional, com um concerto de música portuguesa dos séculos XVII, XX e XXI. Serão executadas obras de Estêvão Lopes Morago, D. João IV, Diogo Dias Melgaz, Paulo Brandão e Filipe Pires.





terça-feira, 3 de maio de 2011

A realização do baixo contínuo nas obras de João Lourenço Rebelo

CONFERÊNCIA 5 Maio 18h00 Auditório BNP Entrada livre



João Lourenço Rebelo é sem dúvida o mais genial e excêntrico compositor de música religiosa do Portugal seiscentista. Sendo representante da segunda geração de compositores ibéricos que escreveram música policoral, depois de Guerrero, Garro, Lobo e outros, a singularidade da escrita de Rebelo coloca problemas também eles particulares quanto à realização do baixo contínuo.
Tendo em conta que as cifras que encontramos na fonte não traduzem por si o complexo fluir da harmonia, caracterizada por texturas onde abundam as dissonâncias e as resoluções assíncronas, qual deverá ser o papel do executante? Ignorar os recurrentes 'clusters' ou preparar uma parte separada a partir do estudo cuidadoso da polifonia?
Para além do tratado de Doizi Velasco, nenhuma das fontes teóricas portuguesas se refere à prática do baixo continuo, por essa razão é necessário ter uma abordagem diferente na preparação de uma execução prática.
João Paulo Janeiro

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Paixão Segundo São Mateus, de Francisco Martins


O canto da Paixão resulta da tradição litúrgica que introduz no cantochão as Turbas (palavras do Povo) a quatro vozes. Na presente obra, diz-nos José Augusto Alegria, a novidade «consistiu em embrechar no esquema tradicional proposto pelos Passionários o canto dos Ditos de Cristo […] cantados pelos três personagens a quem se distribuía o papel de Cronista, de Cristo e de Sinagoga». Dos 23 Ditos do Evangelho de São Mateus, Francisco Martins selecciona 10 que arranja a três vozes. Neste concerto o Grupo Vocal Arsis utiliza a edição das Turbas e dos Ditos transcritos pelo Cónego José Augusto Alegria a partir dos manuscritos existentes na Biblioteca de Elvas e publicados pela Fundação Calouste Gulbenkian.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

As Missas do compositor António Leal Moreira (1758 - 1819)

CONFERÊNCIA, 21 Outubro, 18h00. Auditório da BNP. Entrada livre

«António Leal Moreira foi um dos mais produtivos e talentosos compositores portugueses de fins do século dezoito e primeiras décadas do século dezanove.

«A produção de Leal Moreira incluiu a composição de serenatas de corte durante o reino de D. Maria I, óperas cómicas em língua portuguesa para o recém inaugurado Teatro de São Carlos em parceria com o poeta brasileiro Caldas Barbosa, modinhas e um grande número de sofisticada música sacra para ocasiões de maior importância na corte. Entre suas obrigações profissionais, que incluíram ensinar no Seminário da Patriarcal, ele também foi responsável pela direcção dos Teatros da Rua dos Condes e posteriormente do de São Carlos.

«Todavia, afora alguns estudos curtos realizados sobre sua vida e obra, ainda faltam uma catalogação sistematizada e uma avaliação crítica de sua produção que possam ajudar-nos a compreender os desenvolvimentos estético-musicais e estruturais de suas obras.

«Nesta conferência analisaremos suas Missas, obras para cerimónias de vulto e baseadas sempre no mesmo texto do ordinário romano, o que possibilita uma maior concentração nos aspectos estilístico-musicais dessas obras. Ao separarmos as obras de Leal Moreira em quatro fases, podemos demonstrar por amostragem as transformações na linguagem do compositor. A metodologia deste estudo é baseada numa catalogação inicial das várias missas autógrafas e cópias de época depositadas na Biblioteca Nacional de Portugal em outros importantes arquivos musicais em Portugal e no Brasil.»

Ricardo Bernardes

(Fonte: BNP)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Grupo Vocal Arsis na Biblioteca Nacional de Portugal


Pela terceira vez a Biblioteca Nacional acolhe o Grupo Vocal Arsis, dirigido pelo compositor e maestro Paulo Brandão, desta vez para um concerto sacro constituído exclusivamente por música de compositores portugueses dos séculos XVI e XVII: Pedro Gamboa, Estêvão Lopes Morago, Francisco Martins, Diogo Dias Melgás e D. João IV.
O Grupo Vocal Arsis recorre às edições da Fundação Calouste Gulbenkian (colecção Portugaliae Musica) excepto na obra de Pedro de Gamboa, transcrita por João Pedro d'Alvarenga.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Concerto pelo Grupo Vocal Arsis

O Grupo Vocal Arsis inicia amanhã, na Igreja de Santa Catarina, em Lisboa, o ciclo de concertos sacros desta temporada de Quaresma/Páscoa.

O programa é exclusivamente constituído por música de compositores portugueses dos séculos 16 e 17.

Pedro de Gamboa, 1563?-1638

Sacerdote e compositor português, não se conhece o local do seu nascimento. Frade menor na paróquia de S. Paio de Arcos, em Arcos de Valdevez, foi ordenado presbítero em 1585. Terá então sucedido a Baltazar Vieira como mestre de capela na Sé de Braga. Manteve este lugar até cerca de 1591, quando se retirou para a freguesia de S. Salvador de Bente, perto de Braga, onde ficou até ao fim da vida.

Miserere nostri, Domine
Estrofes 20 e 30 do hino Te Deum laudamus

A peça Miserere nostri, Domine foi transcrita por João Pedro d’Alvarenga do manuscrito existente na Biblioteca Pública Municipal do Porto.

Estêvão Lopes Morago, 1570-1630

Nascido em Vallecas, perto de Madrid, Estebán Lopez veio ainda criança para Portugal onde passou toda a vida. Estudou música em Évora onde foi menino de coro e onde fez toda a sua formação, no Colégio dos Jesuítas. Foi mestre de capela da Sé de Viseu de 1599 a 1628.

Oculi mei
Introitus da Missa do 3º Domingo da Quaresma (Salmo 25(24):15-16)

Domine, ne memineris
Tractus da Missa de Quarta-Feira de Cinzas (Salmo 79(78):8)

Ambas as peças executadas neste concerto foram transcritas por Manuel Joaquim dos manuscritos provenientes da Sé de Viseu, sendo de assinalar que Oculi mei foi a primeira peça deste compositor a ter audição moderna, em 1941, sob a direcção de Mário de Sampayo Ribeiro.

Francisco Martins, 1617-1680

Nascido em Évora, iniciou a sua formação musical em 1626 ou 1627, como menino de coro no Colégio da Sé de Évora. Em 1647 já era Padre e Mestre de Capela da Sé de Elvas, aí permanecendo toda a vida. Os manuscritos das suas obras encontram-se na Biblioteca Municipal de Elvas.

Tenebrae factae sunt
Responsório das Matinas de Sexta-Feira Santa (Mat. 27:46)

Tristis est anima mea
Responsório do Nocturno de Quinta-Feira Santa (Mat. 26:38)

As peças excutadas foram transcritas por Mário Sampayo Ribeiro.

Diogo Dias Melgás, 1638-1700

Nascido em Cuba do Alentejo, iniciou os seus estudos musicais como menino de coro no Colégio da Sé de Évora, provavelmente em 1647. Aluno do Padre Bento Nunes Pegado, sucedeu-lhe no cargo de Mestre da Claustra, em 1663. Sucedeu a António Rodrigues Vilalva, no cargo de Mestre de Capela, em 1678. Teve de abandonar o lugar quando cegou, em 1697.

Ille homo
Antífona de quarta-feira depois do quarto Domingo da Quaresma (Jo. 9:11)

Salve Regina
Antífona das Completas de Domingo

D. João IV, Rei de Portugal, 1604-1656

Adjuva nos Deus
Tractus da Missa de Quarta-Feira de Cinzas (Salmo 79(78):9)


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

terça-feira, 10 de novembro de 2009

António Teixeira e «As variedades de Proteu»


Para lembrar, quinta-feira, às 18h00, a conferência sobre António Teixeira e a sua obra «As variedades de Proteu», por Sílvia Sequeira.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Augusto Machado e o seu tempo

Está a decorrer, desde 22 de Janeiro e até 19 de Fevereiro, no Foyer Aberto do Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa, um ciclo de concertos de canto e piano, intitulado "Augusto Machado e o seu tempo" organizados pelo Maestro João Paulo Santos.
Este ciclo, que decorre às quintas-feiras, apresenta uma visão abrangente da obra do compositor português Augusto Machado (1845-1924) bem como de outros compositores seus contemporâneos portugueses - nomeadamente Alfredo Keil (1850-1907), Óscar da Silva (1870-1958), António Fragoso (1897-1918), Viana da Mota (1868-1948), Luís de Freitas Branco (1890-1955), João Guilherme Daddi (1814-1887) e Joaquim Casimiro (1808-1862) - e estrangeiros - nomeadamente Hervé (pseudónimo de Florimond Ronger, 1825-1892), Jacques Offenbach (pseudónimo de Jacob Eberst, 1819-1880) e Angelo Frondoni (1812-1891).

Com um programa variado e apelativo, este ciclo permite um contacto com compositores portugueses cujos nomes até podem ser mais ou menos conhecidos de um grande público mas cuja música é pouco ou nada executada, não só por falta de interesse por parte dos músicos mas também porque se encontra ainda por publicar.

O espólio documental de Augusto Machado encontra-se, desde há dias, integralmente reunido na Biblioteca Nacional de Portugal, graças à documentação generosamente doada pela sua bisneta, Maria Constança, a qual veio completar o espólio existente e que tinha sido vendido ao extinto IPPC, na década de 80, pelo outro herdeiro (no Programa abaixo vai a ligação para as fontes disponíveis na Biblioteca Nacional).

Cumpre também lembrar que o compositor foi um dos membros do Cenáculo, tertúlia literária de que fizeram parte Jaime Batalha Reis, Eça de Queirós, Salomão Saragga, Lobo de Moura, Manuel de Arriaga, Antero de Quental, Guerra Junqueiro e José Fontana. Desta tertúlia nasceram as famosas Conferências Democráticas do Casino, em 1871, que marcaram a formação da que ficaria conhecida por "geração de 70". Machado inspiraria Eça na criação de Cruges, o compositor de "Os Maias", descrito como «um diabo adoidado, maestro, pianista, com uma pontinha de génio».

«- Ninguém faz nada, disse Carlos espreguiçando-se. Tu, por exemplo, que fazes?
Cruges, depois de um silêncio, rosnou encolhendo os ombros:
- Se eu fizesse uma boa ópera, quem é que ma representava?
- E se o Ega fizesse um belo livro, quem é que lho lia?
O maestro terminou por dizer:
- Isto é um país impossível... Parece-me que também vou tomar café.» (Os Maias)

22 de Janeiro: CANTO E PIANO

AUGUSTO MACHADO
* Voli un giorno
* Sempre più t'amo 1873
* Soneto (Luís de Camões) 1880
* Bonjour Suzon (Alfred de Musset) 1884

ALFREDO KEIL
* Angoisse apaisée (Antoine Cros)

ÓSCAR DA SILVA
* Le chant du cygne (Luís de Camões)

ANTÓNIO FRAGOSO
* Sérénade (Paul Verlaine) 1917

VIANNA DA MOTTA
* Canção Perdida (Guerra Junqueiro) 1895

LUÍS DE FREITAS BRANCO
* Aquela moça (Augusto de Lima) 1904

AUGUSTO MACHADO
* Margarida (Eça Leal) 1908
* Era uma vez (Virgínia Victorino) 1915
* Amor! Amor! (Augusto Gil) 1919
* Pro Pace 1918
* Baccio sprezzato (Camaiti) 1918
* Primo baccio (Corradeti) 1917
* Nocturne de la douxième heure (Henri d'Erville) 1910
* La lettre (Edmond Rostand) 1912
* La Querelle (Comtesse de Noailles)
* Valse-Impromptu (Alfred de Musset)

Soprano Lara Martins
Barítono Luís Rodrigues

29 de Janeiro: ÓPERA

AUGUSTO MACHADO

LAURIANE (Magne e Guiou)1883
* M'y voilà donc!...D'une âpre ambition (D'Alvimar)
* Comme l'aube diaphane (Jovelin)
* Fuyez ce D'Alvimar (Lauriane, Jovelin)

I DORIA (A. Ghislanzoni) 1887
* Fidati a me!...Al deseto natio (Moro)
* Ho ben compreso?...Egli è là (Leonora, Fieschi)

MARIO WETTER (R. Leoncavallo) 1898
* Cena (Lydia, De Sora)

LA BORGHESINA (Golisciani) 1909
* Un'aura balsamica (Amanda)
* Trasse al bosco nel verno (Lisa, De Sterny)
* Viva l'amor (Flaminia)
* Da St. Germain tornando (Prospero, De Sterny)

ROSAS DE TODO O ANO (Júlio Dantas) 1920
* Cena (Inês)

Soprano Ana Ester Neves
Tenor João Cipriano Martins
Barítono João Merino

5 de Fevereiro: MÚSICA DE CÂMARA

AUGUSTO MACHADO
* Vieilleries: Menuet, Gavotte, Gigue Portugaise

JOÃO GUILHERME DADDI
* Larghetto ( 2º Andamento de Morceau de Salon)

ALFREDO KEIL
* Juin langoureux

AUGUSTO MACHADO
* Bolero et Andante 1870
* Berceuse
* Maria Constança - Valsa (dedicada à neta) 1914
* Prelúdio e Fuga 1917
* Miniaturas
* Petits jeux
* Cache cache
* Colin maillard

VIANNA DA MOTTA
* Cena nas Montanhas e Presto (2º e 3º Andamentos de Quarteto em sol maior) 1895

Quarteto Vianna da Motta:
Violino I António Figueiredo
Violino II Witold Dziuba
Viola Hugo Diogo
Violoncelo Irene Lima

19 de Fevereiro: OPERETA

HERVÉ

LE PETIT FAUST (Jaime e Crémieux) 1869
* Complainte du roi de Thulé

JACQUES OFFENBACH

ORPHEE AUX ENFERS (Crémieux e Halévy) 1874
* Couplets des baisers

LA GRAND-DUCHESSE DE GEROLSTEIN (Meilhac e Halévy) 1867
* Air de la lettre

ANGELO FRONDONI

O BEIJO (Silva Leal) 1844
* Tal não sou, bela Joaninha (Joaninha, Filipe)

JOAQUIM CASIMIRO

NEM TURCO NEM RUSSO (Costa Cascais)1844
* Couplets turcos

A MULHER DE TRÊS MARIDOS
* Couplets

AUGUSTO MACHADO

A CRUZ DE OURO (Athaíde e R. Lima) 1873
* Romanza d'Austerlitz

A GUITARRA (Eça Leal) 1902
* Quarteto (Eufémia, Alexandrina, Joaquim, Mimoso)

PICCOLINO (V, Sardou/E. Garrido) 1889
* Couplets de Frederico

A LEITORA DA INFANTA (tradução de Eça Leal) 1893
* Trio e Couplets (Mercedes, Rafael, Doutor)
* Serenata (Rafael)

OS FILHOS DO CAPITÃO-MÓR (E. Schwalbach) 1896
* Quarteto dos Ecos (Maria, Cogominho, Gonçalo, Romão)

TIÇÃO NEGRO (H. Lopes de Mendonça) 1902
* Duetino (Cecília, Apariço)

VÉNUS (A. Antunes) 1905
* Romanza
* Valsa do fogo
* Canção báquica

O ESPADACHIM DO OUTEIRO (H. Lopes de Mendonça) 1910
* Dueto (Frangalho, Violante)
* Aria (Ines)
* Dueto (Violante, Inês)

O RAPTO DE HELENA (A. Antunes) 1902
* Couplets (Giraffier)
* Brinde-Valsa

Soprano Dora Rodrigues
Soprano Sandra Medeiros
Tenor Mário Alves
Barítono Mário Redondo

Augusto Machado e o seu tempo

This post in english.

Está a decorrer, desde 22 de Janeiro e até 19 de Fevereiro, no Foyer Aberto do Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa, um ciclo de concertos de canto e piano, intitulado "Augusto Machado e o seu tempo" organizados pelo Maestro João Paulo Santos.
Este ciclo, que decorre às quintas-feiras, apresenta uma visão abrangente da obra do compositor português Augusto Machado (1845-1924) bem como de outros compositores seus contemporâneos portugueses - nomeadamente Alfredo Keil (1850-1907), Óscar da Silva (1870-1958), António Fragoso (1897-1918), Viana da Mota (1868-1948), Luís de Freitas Branco (1890-1955), João Guilherme Daddi (1814-1887) e Joaquim Casimiro (1808-1862) - e estrangeiros - nomeadamente Hervé (pseudónimo de Florimond Ronger, 1825-1892), Jacques Offenbach (pseudónimo de Jacob Eberst, 1819-1880) e Angelo Frondoni (1812-1891).

Com um programa variado e apelativo, este ciclo permite um contacto com compositores portugueses cujos nomes até podem ser mais ou menos conhecidos de um grande público mas cuja música é pouco ou nada executada, não só por falta de interesse por parte dos músicos mas também porque se encontra ainda por publicar.

O espólio documental de Augusto Machado encontra-se, desde há dias, integralmente reunido na Biblioteca Nacional de Portugal, graças à documentação generosamente doada pela sua bisneta, Maria Constança, a qual veio completar o espólio existente e que tinha sido vendido ao extinto IPPC, na década de 80, pelo outro herdeiro (no Programa abaixo vai a ligação para as fontes disponíveis na Biblioteca Nacional).

Cumpre também lembrar que o compositor foi um dos membros do Cenáculo, tertúlia literária de que fizeram parte Jaime Batalha Reis, Eça de Queirós, Salomão Saragga, Lobo de Moura, Manuel de Arriaga, Antero de Quental, Guerra Junqueiro e José Fontana. Desta tertúlia nasceram as famosas Conferências Democráticas do Casino, em 1871, que marcaram a formação da que ficaria conhecida por "geração de 70". Machado inspiraria Eça na criação de Cruges, o compositor de "Os Maias", descrito como «um diabo adoidado, maestro, pianista, com uma pontinha de génio».

«- Ninguém faz nada, disse Carlos espreguiçando-se. Tu, por exemplo, que fazes?
Cruges, depois de um silêncio, rosnou encolhendo os ombros:
- Se eu fizesse uma boa ópera, quem é que ma representava?
- E se o Ega fizesse um belo livro, quem é que lho lia?
O maestro terminou por dizer:
- Isto é um país impossível... Parece-me que também vou tomar café.» (Os Maias)

22 de Janeiro: CANTO E PIANO

AUGUSTO MACHADO
* Voli un giorno
* Sempre più t'amo 1873
* Soneto (Luís de Camões) 1880
* Bonjour Suzon (Alfred de Musset) 1884

ALFREDO KEIL
* Angoisse apaisée (Antoine Cros)

ÓSCAR DA SILVA
* Le chant du cygne (Luís de Camões)

ANTÓNIO FRAGOSO
* Sérénade (Paul Verlaine) 1917

VIANNA DA MOTTA
* Canção Perdida (Guerra Junqueiro) 1895

LUÍS DE FREITAS BRANCO
* Aquela moça (Augusto de Lima) 1904

AUGUSTO MACHADO
* Margarida (Eça Leal) 1908
* Era uma vez (Virgínia Victorino) 1915
* Amor! Amor! (Augusto Gil) 1919
* Pro Pace 1918
* Baccio sprezzato (Camaiti) 1918
* Primo baccio (Corradeti) 1917
* Nocturne de la douxième heure (Henri d'Erville) 1910
* La lettre (Edmond Rostand) 1912
* La Querelle (Comtesse de Noailles)
* Valse-Impromptu (Alfred de Musset)

Soprano Lara Martins
Barítono Luís Rodrigues

29 de Janeiro: ÓPERA

AUGUSTO MACHADO

LAURIANE (Magne e Guiou)1883
* M'y voilà donc!...D'une âpre ambition (D'Alvimar)
* Comme l'aube diaphane (Jovelin)
* Fuyez ce D'Alvimar (Lauriane, Jovelin)

I DORIA (A. Ghislanzoni) 1887
* Fidati a me!...Al deseto natio (Moro)
* Ho ben compreso?...Egli è là (Leonora, Fieschi)

MARIO WETTER (R. Leoncavallo) 1898
* Cena (Lydia, De Sora)

LA BORGHESINA (Golisciani) 1909
* Un'aura balsamica (Amanda)
* Trasse al bosco nel verno (Lisa, De Sterny)
* Viva l'amor (Flaminia)
* Da St. Germain tornando (Prospero, De Sterny)

ROSAS DE TODO O ANO (Júlio Dantas) 1920
* Cena (Inês)

Soprano Ana Ester Neves
Tenor João Cipriano Martins
Barítono João Merino

5 de Fevereiro: MÚSICA DE CÂMARA

AUGUSTO MACHADO
* Vieilleries: Menuet, Gavotte, Gigue Portugaise

JOÃO GUILHERME DADDI
* Larghetto ( 2º Andamento de Morceau de Salon)

ALFREDO KEIL
* Juin langoureux

AUGUSTO MACHADO
* Bolero et Andante 1870
* Berceuse
* Maria Constança - Valsa (dedicada à neta) 1914
* Prelúdio e Fuga 1917
* Miniaturas
* Petits jeux
* Cache cache
* Colin maillard

VIANNA DA MOTTA
* Cena nas Montanhas e Presto (2º e 3º Andamentos de Quarteto em sol maior) 1895

Quarteto Vianna da Motta:
Violino I António Figueiredo
Violino II Witold Dziuba
Viola Hugo Diogo
Violoncelo Irene Lima

19 de Fevereiro: OPERETA

HERVÉ

LE PETIT FAUST (Jaime e Crémieux) 1869
* Complainte du roi de Thulé

JACQUES OFFENBACH

ORPHEE AUX ENFERS (Crémieux e Halévy) 1874
* Couplets des baisers

LA GRAND-DUCHESSE DE GEROLSTEIN (Meilhac e Halévy) 1867
* Air de la lettre

ANGELO FRONDONI

O BEIJO (Silva Leal) 1844
* Tal não sou, bela Joaninha (Joaninha, Filipe)

JOAQUIM CASIMIRO

NEM TURCO NEM RUSSO (Costa Cascais)1844
* Couplets turcos

A MULHER DE TRÊS MARIDOS
* Couplets

AUGUSTO MACHADO

A CRUZ DE OURO (Athaíde e R. Lima) 1873
* Romanza d'Austerlitz

A GUITARRA (Eça Leal) 1902
* Quarteto (Eufémia, Alexandrina, Joaquim, Mimoso)

PICCOLINO (V, Sardou/E. Garrido) 1889
* Couplets de Frederico

A LEITORA DA INFANTA (tradução de Eça Leal) 1893
* Trio e Couplets (Mercedes, Rafael, Doutor)
* Serenata (Rafael)

OS FILHOS DO CAPITÃO-MÓR (E. Schwalbach) 1896
* Quarteto dos Ecos (Maria, Cogominho, Gonçalo, Romão)

TIÇÃO NEGRO (H. Lopes de Mendonça) 1902
* Duetino (Cecília, Apariço)

VÉNUS (A. Antunes) 1905
* Romanza
* Valsa do fogo
* Canção báquica

O ESPADACHIM DO OUTEIRO (H. Lopes de Mendonça) 1910
* Dueto (Frangalho, Violante)
* Aria (Ines)
* Dueto (Violante, Inês)

O RAPTO DE HELENA (A. Antunes) 1902
* Couplets (Giraffier)
* Brinde-Valsa

Soprano Dora Rodrigues
Soprano Sandra Medeiros
Tenor Mário Alves
Barítono Mário Redondo